segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Re-vivendo

O dia amanhece e antes que os primeiros raios de sol cheguem até meu rosto já estou acordada há tempos,a sensação é a de não ter dormido durante semanas.
Apesar de não estarmos mais juntos você continua aqui quando acordo,deitado na cama que um dia foi nossa,e é tão lindo vê-lo dormindo com o rosto enterrado no travesseiro que sinto-me sem forças para fazer qualquer outra coisa que não seja permanecer velando teu sono.Mas então o relógio desperta acordando esta dor que habita em mim,me fazendo desejar que essa realidade na qual me encontro seja apenas um pesadelo,mesmo sabendo que isso é em vão.Reúno as forças que ainda me restam e levanto para tomar banho.Debaixo do chuveiro me liberto das amarras do faz de conta me entregando à realidade,assumindo o único papel que interpreto bem,o de ser eu mesma,então choro e me permito sentir toda essa dor que me corrói,sem precisar dar explicações,sem precisar usar a desculpa de que foi apenas um cisco que entrou em meus olhos.
Penso que se ao menos aquela toalha molhada que você insistia em deixar jogada no chão e que tanto me irritava estivesse lá,eu poderia ficar menos triste,pois saberia que esta ausência seria momentânea,e que no fim do dia você estaria de volta pra mim,para nossa cama quentinha,e para me tirar do sério novamente deixando a toalha molhada jogada no chão.Sua partida me fez descobrir dores em lugares que eu nem imaginava que existiam,e quase todas as cores que enfeitavam o meu mundo quando estávamos juntos ficaram de saco cheio dessa minha tristeza e também resolveram me abandonar,exceto o preto que agora fica todo serelepe tingindo tudo por onde passa.
Eu quero reagir,quero tirar de mim essa invasora que me domina,quero exorcizar os meus medos,quero bater o pé e dizer que quem manda aqui sou eu,mas não consigo,pois quando levanto a cabeça e vislumbro o futuro sem você ao meu lado o meu mundo desaba,eu desabo, e as lágrimas surgem me fazendo entender que a única coisa de que sou capaz de fazer sem você é chorar.
Antes de conhecê-lo eu convivia muito bem com a solidão,de certa forma ela era minha amiga,nos entendíamos facilmente,aí você surgiu me trazendo um leque cheio de falsas opções,dizendo que eu poderia ser feliz,bastava escolher uma delas.Escolhi você e agora estou aqui,sozinha novamente,o diferencial é que estou em guerra com a solidão.Quem você pensa que é para deixar minha vida de cabeça pra baixo e depois simplesmente dizer que está indo embora?
Aqui dentro desse peito bate um coração meu caro,um coração burro,idiota que insiste em acreditar nas pessoas,e depois me faz pagar o pato pela sua ingenuidade.Um coração que de tão mal acostumado com a sua presença está aos pedaços desde que você se foi,que sente a dor de mil agulhadas em cada parte fragmentada,que é teimoso e tenta me enganar dizendo que você vai voltar,e que apesar de tudo,principalmente do estado crítico em que se encontra,faz questão de dizer ao mundo que é seu,de guardar-se todo para você.Enquanto isso não acontece,continuo aqui,com os meus subterfúgios que ao menos servem de anestesia para essa dor,ou para tentar deixar tangível a sua existência.

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